Entrada e pagamento por etapas: pare de financiar o projeto do cliente

Quanto pedir de entrada, como dividir um projeto em marcos e o que fazer quando o cliente não aceita pagar antes. Com exemplos de valores.

Antes de abrir o Figma, o VS Code, o Premiere ou qualquer outra ferramenta, você deveria conseguir responder quatro perguntas sobre o projeto:

Se essas perguntas não têm resposta, você ainda não tem um processo de pagamento. Tem apenas uma esperança.

Este artigo faz parte da série Como fazer o cliente pagar.

A entrada é sua primeira proteção

Uma das ferramentas mais simples para reduzir o risco é pedir uma entrada. Alguns formatos comuns:

50% + 50% — projeto de R$ 4.000:

30% + 40% + 30% — projeto de R$ 10.000:

25% × 4 — quatro parcelas iguais ao longo do projeto.

Não existe porcentagem universal. Para clientes novos, entradas entre 25% e 50% são bastante usadas, mas o importante é o princípio:

Quanto maior o risco de você trabalhar muito antes de receber, menos sentido faz deixar 100% do pagamento para o final.

"E se o cliente não aceitar pagar entrada?"

Não responda automaticamente "tudo bem, eu faço sem entrada". Primeiro descubra por quê.

Às vezes o motivo é burocrático: "nossa empresa só paga depois que o serviço é entregue". Nesse caso, negocie o formato, não o princípio:

"Entendo. Nesse caso podemos dividir o projeto em etapas menores. Assim cada etapa é aprovada e faturada separadamente."

Isso transforma um projeto de R$ 10.000 para receber em 60 dias em quatro entregas de R$ 2.500 pagas ao longo do processo. O risco diminui para os dois lados.

Pagamento por etapas: a melhor solução para projetos grandes

Imagine um site com planejamento, wireframes, design, desenvolvimento, testes e publicação. Dá para cobrar tudo no final — mas por que fazer isso?

Etapa Valor
1. Planejamento R$ 1.000
2. Design R$ 2.000
3. Desenvolvimento R$ 4.000
4. Publicação R$ 1.000

O cliente não precisa financiar o projeto inteiro antecipadamente. E você não precisa financiar o projeto para ele.

Pagamentos por marcos são especialmente úteis em trabalhos longos ou com várias entregas: eles limitam a quantidade de trabalho não pago exposta caso o projeto seja interrompido no meio.

Só tome cuidado com o critério que libera cada pagamento. "Após aprovação" é uma armadilha comum — explicamos por quê em Escopo, aprovação e alterações.

Não entregue tudo antes de receber tudo

Outro erro comum: você termina arquivos finais, código, artes, vídeos, materiais editáveis, documentação, acessos e publicação — e só depois diz "agora falta o pagamento".

Você acabou de entregar seu principal instrumento de negociação.

Dependendo do serviço e do contrato, estruturas mais seguras são:

Isso precisa estar definido antes, de forma clara e juridicamente adequada ao tipo de serviço.

Mas não use o trabalho como "refém"

Existe uma diferença importante entre:

A primeira é a execução de uma regra combinada. A segunda pode virar um problema para você. Por isso, não invente cláusulas agressivas depois que o atraso aparece — a proteção precisa estar prevista desde o início, na proposta e no contrato.

Veja como escrever essas condições em O que colocar no contrato e na proposta para receber em dia.